Ninguém é insubstituível
Enviado por vital em

Notícia Estendida
Ninguém é insubstituível



Tenho recebido e-mails de alguns irmãos preocupados com o fato de que, quando eu morrer, ninguém possa me substituir na Internet, com a mesma ousadia e prontidão em atacar os falsos mestres e os pecados capitais dos crentes evangélicos.

O vocábulo “preocupação” significa “ocupar-se antecipadamente” e não é pelo fato de estar com 80 anos e três meses de idade que eu deva morrer assim tão depressa, tendo em vista que minha mãe morreu com quase 97 anos (mesmo sendo fumante) e que eu sou muito parecida com ela na resistência física e mental.

Para tristeza dos meus inimigos virtuais, devo chegar, tranquilamente, aos 90 anos de idade, se é que o Senhor Jesus não vai aterrizar neste planeta antes disso, ou seja, sete anos após o início da Grande Tribulação, a qual parece estar às portas. Pelo visto, 2012 é um ano repleto de previsões escatológicas e talvez aconteça o pior, no período que deve começar por esse tempo... Não tenho diabetes, osteoporose, colesterol muito elevado, a pressão nunca passou dos 12 X 8 e o peso oscila entre 51 e 53 kg, há 50 anos. Se eu morrer antes, vai ser de “ruindade”, oxente!

A filha alemã não poderia me substituir nos assuntos bíblicos porque ainda não se converteu a Cristo e, embora ame os judeus de maneira extraordinária, não acredita que Jesus seja o Cristo (= Messias) do povo escolhido. Contudo, a filha brasileira - Rosemary - até mais inteligente do que eu, poderá me substituir no ministério apologético, pois tem o mesmo grau de ousadia (para não dizer agressividade) que eu tenho, escreve bem e não tem medo de cara feia. Sem falar que, no início desta semana, ela me contou que está buscando um seminário batista (aqui em Terê), para estudar Teologia, após ter concluído (em dezembro de 2009) a Faculdade de Enfermagem, na UNIFESO, onde trabalha há 10 anos.

Graças a Deus, minhas duas filhas são boas no vernáculo, mesmo não tendo estudado Latim. Acho que a família (Macedo/Schultze) tem facilidade para escrever, pois meu pai, que só possuía o curso primário, escrevia em prosa e verso com extraordinária elegância. E o Dr. Schultze escrevia bons textos em Português, mesmo sendo um estrangeiro.

Escrever bem é um dom. Conheço um jovem pastor, filho de um figurão da CBB (já falecido), que certa vez, enviou um e-mail, detonando-me, porque eu havia escrito um artigo criticando os erros da Bíblia NVI (de cuja editora nacional suponho que ele estaria recebendo algum dinheiro). Em vez de responder o seu e-mail, defendendo meus pontos de vista, eu simplesmente o devolvi ao “garoto”, aconselhando-o a fazer um bom curso no MOBRAL, pois no tal e-mail havia dúzias de erros de redação, que eu grifei em vermelho. E como pedi que ele não me escrevesse, enquanto não aprendesse mais do vernáculo, ele foi bastante gentil, pois nunca mais me importunou. Hoje em dia, vejo o nome dele assinando alguns escritos publicados num grupo batista, leio alguns e constato que o “garoto” seguiu o meu conselho, pois melhorou bastante no estilo e na gramática. Agora, ele até poderia voltar a me escrever! Não costumo guardar mágoa de pessoa alguma, pois quem me critica é, muita vezes, mais sincero do que quem me elogia. Quem me critica é porque leu meus escritos e notou que eu existo. Enquanto isso, quem me bajula pode estar querendo tirar algum proveito da minha vaidade pessoal, ainda que seja apenas nas orações diárias!

Que meus irmãos virtuais não se preocupem com uma substituta para esta “peste e promotora de encrencas”, pois, conforme respondi a um deles, “O problema é do Altíssimo e não meu e Ele, provavelmente, vai levantar alguém muito mais afiada do que eu, na verbosidade viperina, pois, afinal, ninguém é insubstituível...”



Mary Schultze, 06/03/2010 – www.maryschultze.com