Livro: Os muitos anos me fazem recordar - Parte III
Os Cachorros de Berlim
O povo aqui de Berlim/ pelos cães tem tal xodó/ que a gente, em todo jardim,/ só vê cocô de totó./ Cachorro, aqui nesta terra,/ tem capa de pele e cama/ e em tempo de paz ou guerra/ de "Lieber Hund" se chama./ Com sobrenome do dono/ tem na coleira uma ficha/ e sonha, durante o sono,/ com frango assado e salsicha./ Na próxima encarnação,/ eu, coitadinha de mim,/ vou fazer minha opção:/ nascer cachorro em Berlim. (1967)
Desembarquei em Berlim,/ qual formiga em formigueiro./ O clima aqui está ruim/ e faz frio o tempo inteiro./ No Metrô aqui da terra,/ que de U-Bahn é chamado,/ parece haver uma guerra/ de povo acotovelado./ Cada cachorro que vejo / - e aqui é o que mais se vê,/ faz aumentar meu desejo/ de regressar a Terê./ Pois cão, aqui nesta terra, / tem capa de pele e cama, /com ele o dono não berra / e de "lieber hund" o chama./ Meu Alemão tão fraquinho / de melhorar eu desisto./ Vou me mandar, ligeirinho,/ desta terra do Anticristo./ É boa, aqui, a comida,/ nela o povo tem prazer.../ Mas não vou ser iludida,/ pois não gosto de comer./ A Deus sempre peço auxílio,/ pois meu coração deseja/ acabar com este exílio/ e ver meus irmãos, na Igreja. (1999).
De Berlim (1967) fomos para Munique e visitamos o Zugspitzer, onde a neve cobria o chão, com meio metro de espessura, em pleno verão europeu. Dali fomos para Stutgart. De Stutgart [de onde demos um pulinho até Tübingen, onde o Schultze estudou Química Industrial], viajamos de trem para Frankfurt. Esta cidade era última etapa de nossa viagem à Europa. Os trens na Alemanha eram limpos e confortáveis que eu tinha a impressão de estar noutro planeta! Na viagem de volta, entre Tübingen e Stutgart, Margarete andava pelo trem, quando arranjou um "amigo" e o trouxe, para nos apresentar. Era nada menos que um dos Diretores da MERCK alemã.
Em Frankfurt, reencontrei uma velha amiga brasileira, ali residente - Gerda Schmidt. Juntas, passeamos muito, fomos à Ópera, visitamos bons restaurantes e fizemos compras nas grandes lojas da cidade. Mas as lojas mais fabulosas eram as de Berlim. Eram imensas, de 15 andares ou mais, e ali se comprava desde o automóvel até a agulha. Em Frankfurt, havia um Congresso Internacional de Química e procuramos uma pensão, pois os hotéis estavam todos lotados. Mas a casa era limpa e confortável. Só que a zona era meio duvidosa. Quando eu saía com Margarete, os homens me olhavam e lamentavam: - Que pena que esteja com uma criança! Eu contava ao Schultze, ele ria e nem se importava. Achava tudo natural e continuava me deixando sozinha, enquanto esquecia o mundo, lá no Congresso de Química. Foi quando decidi procurar a Gerda e fiquei mais tranquila.
No hotel em Frankfurt, quando eu arrumava as malas para regressar ao Brasil, Margarete ajoelhou-se, ao lado de sua cama, e começou a chorar, copiosamente. Quando indaguei o motivo do choro, ela explicou: “Eu não quero voltar para o Brasil. Quero ficar aqui. Quero ser alemã. Não gosto de ser brasileira!”... [31 anos se passaram e, logo após completar 40 anos de idade, ela foi morar na Alemanha, onde continua vivendo até hoje. Como vemos, a menina de nove anos já sabia muito bem o que desejava para a sua vida].
Alguns “causos” interessantes
Blusa de Renda - Quando fui ao Ceará, em 1975, ganhei de Odete uma blusa de renda preta, bastante transparente, a qual resolvi usar um dia, na cidade. Quando desci do ônibus, um "cavalheiro" me acompanhou e foi dizendo gracinhas, atrás de mim, esperando, segundo ele, que eu aceitasse um convite para almoçar ou, pelo menos, lhe desse um sorriso.
Chegando em frente ao Banco Nacional, vi um guarda de segurança, olhei firme para o importuno e falei:
A minha blusa é de renda / e preta, ainda por cima.
Mas eu não estou à venda, / é só por causa do clima.
Eu sou séria, meu amigo. / E casada, bem se vê.
É bom não mexer comigo, / pois sei lutar karatê!
Nem é preciso dizer que o homem ficou tão espantado com o desfecho da sua "caçada", que desapareceu na Rua do Ouvidor, sem deixar rastro...
Outra vez fui ao Rio, usando um decotado vestido de malha, comprado na ARP, em Joinville. Um tipo me acompanhou na Av. Rio Branco e foi me dizendo gracejos, por uns cinco quarteirões, até que entrei num ônibus e perdi-o de vista. Chegando em casa, comentei o fato com o Schultze:
“Papi, não vou mais ao Rio com este vestido. Pois não é que um tipo
me acompanhou hoje, falando gracinhas e me convidando para ir com ele à Barra da Tijuca?”
O Schultze me olhou calmamente, perguntando:
- E você foi?
O Rolo de Barbante
Eu estava comprando dois rolos de barbante numa papelaria, na Rua Teófilo Otoni (RJ), quando um cavalheiro, que havia acabado de comprar o mesmo artigo, falou para o vendedor:
- Moço, eu pedi um rolo do barbante mais grosso da loja e o que
você está vendendo a essa dona aí, é bem mais grosso que o meu.
Olhei para ele, achando-o infantil na reclamação, e joguei esta;
Um moço tão alinhado, / de aparência galante,
ficar todo enciumado / por um rolo de barbante!
Ele me olhou admirado e não sabendo se expressar direito, falou:
A coroa aí é boa de fala...
Respondi na mosca:
Perdeu sua classe à toa, / com termos deselegantes.
Meu amigo, eu sou COROA, / mas COROA DE BRILHANTES!
TRÊS ASSALTOS À NOSSA CASA
O Primeiro Assalto - Em 1974, eu estava em Fortaleza, cuidando de minha mãe doente, quando aconteceu o primeiro assalto armado à nossa casa, em Jardim Primavera. Os ladrões entraram num Fusca, como se fossem comprar cosméticos. Quando meu marido os atendeu, puseram um revólver em sua cabeça e falaram:
- Cale a boca aí, gringo; isto é um assalto.
Prenderam todos os nossos empregados no banheiro da fábrica e mandaram que o jardineiro ficasse quieto, sentado a um canto da área de serviço. A arrumadeira (Rita) deu um grito de pavor e logo recebeu uma coronhada na cabeça. Mandaram que Schultze abrisse o cofre, onde havia bastante dinheiro, pois nessa época ainda não acreditávamos na maldade humana. Schultze enrolou-os tanto para não abrir o cofre, que eles perderam a paciência e disseram que iriam levá-lo para matar na estrada Rio-Petrópolis e depois jogariam o seu cadáver numa ribanceira qualquer da serra.
- Senhores, já que vão me matar, por favor, deixem-me tomar uma
cerveja, para eu morrer mais tranquilo!
Os bandidos estavam com sede, pois o dia estava quente, e aceitaram a sugestão com alegria. Ele retirou da geladeira três garrafas de cerveja, arranjou mais uma de Uísque e três copos, além de uma cuba de gelo. Começaram a beber, tranquilamente, enquanto Schultze ia contando estórias de guerra na Alemanha e dos dissidentes de Hitler, que morriam na forca...
Os bandidos iam se interessando e pedindo mais estórias. Schultze começou a perder a noção das coisas, pois bebia sofregamente para não sentir a morte. Foi então que chegou o nosso vizinho, Sr. Bravo (cujo nome garante a qualidade). Entrou desarmado, atraído pelo grito da arrumadeira e, dirigindo-se aos bandidos, pediu-lhes que deixassem meu marido em paz, pois era um homem doente. Jurou que ele não conhecia o segredo do cofre, como havia dito aos ladrões, pois quem o sabia era eu, que estava viajando. Os bandidos, relaxados com a bebida, resolveram sair sem molestar o Schultze. Quando iam saindo, um deles ainda disse ao jardineiro:
- Ei, cara, teu patrão é boa praça!
Adenair, uma das moças do laboratório, iria comentar, dias depois:
- D. Mary, quando vi aquele homem apontando a arma em minha
boca, para eu não gritar, só tive um pensamento: “Meu Deus, que homem bonito!”
Dias depois, quando Schultze tomava um chope na “Casa do Alemão”, na Estrada Rio-Petrópolis - Km. 13, reconheceu um dos assaltantes, muito bem vestido, comendo um sanduíche de frios. Imediatamente, olhou para ele com um largo sorriso e gritou com ironia: “Olá amigo, tem assaltado muitas casas?”
- Que nada, doutor. O pessoal por aqui anda tão duro, que nem vale a pena assaltar.
O bandido acabou de comer o sanduíche e saiu rindo, como se tudo não passasse de uma brincadeira.
O Segundo Assalto - Na madrugada do dia 22 de agosto de 1975, acordei com um pesadelo horrível: um crioulo enorme me apontava uma arma no portão da casa e falava:
- Dona, eu vim lhe matar porque o seu cachorro mordeu o meu pé.
Eu via o seu pé sangrando e dizia lamentar muito, mas não podia ser responsabilizada pelos atos do meu cachorro. Mas ele dizia que ia me matar, de qualquer maneira; então, acordei, dando graças a Deus que não fosse verdade.
Às 9 horas da manhã, Schultze e eu íamos saindo de casa, quando ele resolveu ir ao banheiro. Fiquei esperando no carro e, como ele demorasse muito, desci do carro, fui para a porta da garagem, que dava para o laboratório, e comecei a contar aquele sonho a Adenair. Nesse exato momento, sem que eu suspeitasse, um bandido estava na sala de visitas de nossa casa, obrigando Schultze a abrir o cofre, dizendo:
- Abra o cofre depressa, senão a gente acaba com a sua mulher.
Ele abriu o cofre, que naquele dia tinha pouco dinheiro; porque, depois do primeiro assalto, eu havia escondido um envelope contendo os marcos alemães, dentro de uma gaveta, no meio de papéis velhos.
De repente, achei que Schultze estava demorando demais e fui ver se ele estava passando bem. Notei pegadas de lama feitas por sapatos de borracha, na área de serviço, e indaguei bem alto:
- Quem foi que fez esta sujeira em minha área?
Ouvi uma voz parecida com novela de rádio:
- Senhores, não matem minha esposa, por favor!
Entrei na cozinha e me deparei com um crioulo alto e forte. Pensei que fosse um bombeiro que tinha vindo consertar o banheiro e perguntei:
- Foi o Sr. quem sujou a minha área?
Ele respondeu: - Caladinha aí, dona. Isto é um assalto!
Dei uma risadinha nervosa, escondi as mãos por causa dos anéis e falei:
- Ah! é um assalto?
Quando ele me segurou as mãos para retirar os anéis, dei-lhe um tapa e falei:
- Eu dou minhas jóias, mas antes quero saber se meu marido está bem.
- A dona aí é valente; hem, Corisco?
Olhei e vi outro sujeito escuro, de olhos esbugalhados, provavelmente do tipo que fumava maconha. Fiquei gelada de terror. Nisso, foi chegando a nossa arrumadeira Rita, que havia saído para as compras. Nervosa, desde o primeiro assalto, quando foi ferida com uma coronhada, ela gritou e saiu correndo:
- Parada aí, senão a gente manda uma bala em você, sua crioulinha
nojenta!
Corri para perto da Rita e falei docemente:
- Calma, Rita. Eles não vão nos fazer mal.
Levaram-nos para o banheiro, onde já haviam trancado meu marido e Maria, a cozinheira. Deixaram-nos lá dentro, “limparam” a casa e saíram, logo depois, na maior calma. Quando eles saíram, eu senti uma grande euforia por estar viva e, principalmente, por terem levado uma porção de coisas, exceto minhas jóias, que estavam no fundo de um armário de aço, no meio dos papéis velhos. Meu marido e eu tomamos uma cerveja para relaxar, depois fomos para a cidade.
O Terceiro Assalto - Manhã de 14 de novembro de 1975. Acordei indisposta, contando a minha irmã Savany (que estava passando uns meses conosco) o sonho horrível que havia tido à noite. [Graças a Deus, depois que me entreguei a Jesus Cristo, perdi essa mania de sonhar com assaltos... Talvez este fosse um modo estranho de Satanás me torturar].
Nesse dia, sonhei que Rita, nossa arrumadeira (que havia sumido há duas semanas, traumatizada com os dois assaltos anteriores) estava muito mal e me pedia que fosse vê-la, antes de morrer. Eu ia de Kombi com o Schultze e, no caminho, o carro capotava e eu o via estirado na estrada, inconsciente, sangrando pela boca.
Savany ficou abalada com a narrativa e achou melhor não levarmos o seu filho Junior ao Rio, temendo um acidente na Avenida Brasil. Nós o deixamos com as empregadas, brincando com o garoto Eleazar, filho da cozinheira. Descemos com uma sensação de desgraça; ninguém falava no carro. Schultze nos deixou em Copacabana e foi resolver uns assuntos, no centro da cidade. De lá voltaria para almoçar em casa.
Chegando a Copacabana, contei o sonho a Marietta, minha secretária, e não tive condição de trabalhar, naquele dia, por causa da angústia que sentia. Combinei com Savany voltarmos mais cedo para casa. Chegamos uma hora antes do normal.
Fomos recebidas por dois assaltantes armados - dos cinco que havia dentro de casa. Nossas bolsas foram abertas e depressa esvaziadas. Levaram-nos até a sala. Pálido e arrasado, quando o Junior avistou a mãe, jogou-se em seus braços; depois ficou quietinho, como se estivesse em estado de choque. Quando entrei na sala e vi Margarete... Minhas pernas bambearam e toda a minha coragem desapareceu. Senti medo do que os bandidos pudessem fazer contra minha filha. Schultze estava caído no tapete da sala, quase inconsciente, sangrando pela boca, exatamente como eu o havia visto em meu pesadelo. Quando um dos bandidos (cujo apelido era Pingo e parecia ser o chefe do bando) agarrou o meu cordão de ouro, Margarete gritou:
- Tire as mãos da minha mãe, garoto. Eu dou as jóias, mas não toque nela.
Senti ódio nos olhos dela e fiquei quietinha. Ela veio a mim e falou, tentando me acalmar:
- Mãe, vou tirar suas jóias e dar aos bandidos. Não fique triste. São
coisas materiais, sem nenhum valor. Depois a senhora pode comprar outras. Eles não fizeram nada contra mim e só machucaram o papai, porque ele não conseguiu abrir o cofre, de tão nervoso. Estão aqui há mais de duas horas.
Abri o cofre e entreguei o pouco que ali havia, ou seja, uma coleção de moedas de todos os países que havíamos visitado, inclusive as da Alemanha Oriental.
- Isso aqui é muito pouco dona. Mostre o dinheiro que está escondido.
Eu disse que aquele era o terceiro assalto e não podíamos mais ter dinheiro em casa; então eles disseram que iam nos matar a todos, a fim de compensar “o trabalho”. Só que, nesse momento, alguém tocou a campainha do portão e eles ficaram inseguros. A dita tocou insistentemente e eles combinaram sair pelos fundos da casa, sem levar coisa alguma. Romanos 8:28!!!
Quem tocou a campainha foi o cunhado de uma empregada novata, que estava trancada, há mais de duas horas, no armário da cozinha, junto com a cozinheira, ambas quase asfixiadas pela falta de ar. [A novata nunca mais apareceu no emprego, substituindo a Rita que já havia sumido]. Quando os bandidos se foram, abrimos o armário e elas saíram, brancas de susto. A casa estava toda revirada, no maior caos. Até o depósito de fósforos fora revistado. O único armário não revistado foi o de jornais, revistas e catálogos velhos, exatamente onde eu havia escondido o meu porta-jóias. Foi a primeira alegria que senti, depois que os bandidos se foram...
Schultze estava mal e foi levado para o Hospital Getúlio Vargas, com uma chance em dez de sobreviver. Estava com três rachaduras no fígado, cinco nos intestinos, uma costela quebrada, um pulmão perfurado e hematomas pelo corpo inteiro. Passou por seis cirurgias de emergência, no dia seguinte. Quando falei com o médico, na hora da internação, ele disse que o seu estado era crítico. Aquela foi a noite mais tenebrosa de minha existência. Mas Deus sempre me protegeu, pois, menos de 48 horas após o assalto, tive permissão de entrar no C.T.I. do hospital, para ver o Schultze. Ele estava consciente e foi logo pedindo:
- Mamãe, não esqueça de pagar a duplicata da Bayer, que vence amanhã.
Com uma tremenda vontade de viver, meu marido venceu a morte e, dez dias depois, já estava dirigindo a Kombi. Porém, nunca mais teve boa saúde para enfrentar a luta.
Rosemary - meu bebê
No dia 12 de agosto de 1976, tomei um avião da VASP em direção a Fortaleza, lá chegando à zero hora do dia 13 de agosto. Pretendia lançar o primeiro dos meus 19 livros, o “Cubos de Gelo”, em Crato, minha cidade natal, através do Rotary Clube daquela cidade. Os dias 13 e 14, passei visitando clubes de Rotary, a propósito do lançamento do livro, também, em Fortaleza. Visitei ainda algumas clínicas de beleza que usavam os produtos Mary Schultze e aproveitei a boa vontade de Isaura, dona da Clínica Life, para me cuidar um pouco.
No Domingo, 15 de agosto, mamãe estaria reunindo todos os filhos para comemorar o seu 68º aniversário, que seria no dia 16, mas que iríamos comemorar no domingo, à meia noite, entrando a segunda-feira em festa. À tarde, tive uma dor de cabeça, provavelmente devido ao tempo excessivo que fiquei numa sauna. Tomei um comprimido, me deitei e dormi, enquanto mamãe e algumas irmãs iam ao aeroporto esperar nosso irmão José, que chegaria do Recife para o aniversário de mamãe. Quando acordei, lá pelas 19 horas, estava alarmada com um sonho muito plástico que acabara de ter. Chamei minha irmã Savany e contei o sonho.
Sonhei que recebera um cartão postal, com a “Última Ceia” de DaVinci, colorida em alto relevo, enviado por meu marido, que estava no Rio e faria aniversário, também, no dia 16. Dentro do cartão, com a letra dele, havia esta mensagem: “Mamãe, como é que uma... pode fazer isto com o ...?” Assinado: Hans.
Em lugar dos pontinhos havia a cabeça da “Virgem Maria”, que eu interpretava como sendo a palavra “mãe”; em seguida, a cabeça do “Menino Jesus”, que eu interpretava como sendo a palavra “filho”.
Então o conteúdo da mensagem, que dei a minha irmã, era este: “Mamãe, como é que uma mãe pode fazer isto com o filho?
Uma interpretação total para a mensagem me veio à mente e comecei a chorar. Meu marido estava muito doente, desde o último assalto, e, provavelmente, iria morrer logo; este seria o seu último aniversário. Eu estava longe dele, daí a mensagem. Savany me consolou, dizendo que bem poderia ser outra coisa, e quando mamãe e os irmãos chegaram, contei o sonho e todos me consolaram, dizendo que eu estava traumatizada por causa dos assaltos à nossa casa, e que tudo iria terminar bem. Mas continuei a sentir aquela sensação de que algo estava para acontecer e, mentalmente, pedi a Deus que não fosse uma notícia ruim.
À meia noite, quando íamos começar a festa do aniversário de mamãe, soou a campainha e alguém gritou:
- D. Rosa, encomenda pra senhora.
Entendi que devia ser má notícia de casa. Rosa, minha irmã de São Paulo, e Savany, minha irmã viúva que morava com mamãe, foram atender e demoraram alguns minutos. Quando entraram, Rosa trazia uma caixa que parecia ser um bolo de aniversário. Dentro da mesma havia uma linda criança de três dias, a qual, segundo informações contidas num papel anexo, havia nascido exatamente na hora em que eu desembarcara no aeroporto - à zero hora do dia 13 de agosto. Dentro da caixa havia uma carta, pedindo para ser adotada (que Deus lhe recompensará), uma lata de leite Pelargon, uma de Nidex, duas mamadeiras de plástico, uma delicada muda de roupa, bordada à mão, e duas fraldas. Provavelmente, a mãe daquela criança estava abandonando-a, forçada pelas circunstâncias, mas devia amá-la de verdade, pois havia pensado nos mínimos detalhes. Quando vi a menina, senti uma sensação estranha e uma voz bem suave, lá dentro, dizendo: “Como é que uma mãe pode fazer isto com o filho?”
Foi grande o alvoroço! Todos queriam ver a linda garotinha morena, de cabelos e olhos “negros como a asa da graúna”, que estava dentro da caixa. Então, mamãe tomou-a amorosamente nos braços e começou a chorar de emoção. Todas as mulheres, ali presentes, foram sondadas sobre a possibilidade de adotá-la, pois mamãe, a líder da família, se achava muito idosa para tal missão, sendo já bisavó. Eu fui a única da família a não ser questionada, pois mamãe conhecia o grande número de problemas que eu estava enfrentando, naquele momento. Mas algo me empurrou para o centro da sala e falei:
- Mãe, eu fico com esta criança. Ela veio para mim e só agora entendo a mensagem do meu sonho.
Todos concordaram. No dia seguinte liguei para o Schultze, dizendo que ele seria pai novamente. Ele ficou tão surpreso, que não quis concordar com a adoção, mas convenci-o facilmente. Com a ajuda de Marta Leitão de Araújo, competente Assistente Social, cuidei dos papéis que me dariam o direito de trazer a criança para o Rio. Com dez dias de nascida, Rosemary Schultze (como estava escrito no atestado de batismo e na autorização do Juizado de Menores) embarcou num avião da VASP, rumo ao Rio de Janeiro, que seria oficialmente a sua cidade natal. Foi logo registrada como nossa filha legítima, nascida em Copacabana, no apartamento de minha secretária Marietta. Rosa e José foram os padrinhos do batismo católico, em Fortaleza.
Rosemary ganhou tantos presentes que, ao chegar em casa, notei que o seu enxoval estava completo. Faltavam apenas um berço, uma cômoda e uma banheira. Schultze ofereceu-se para comprá-los, no dia do registro civil, e assim, facilmente, assumimos ambos o papel de pais e nos sentíamos tão felizes como se realmente eu tivesse dado à luz aquela criança. Confesso que houve um momento em que eu quase desisti da adoção. Em Mateus 18:5 Jesus fala: “E quem receber uma criança como esta em Meu nome, a Mim me recebe”.
Minha filha Rosemary
é pura como o lírio do campo.
É morena como um sapoti maduro
e meiga como um bamby de Walt Disney.
É perfumada como uma laranjeira em flor
e alegre como um passarinho ao alvorecer.
Ela é doce como um favo de mel,
esperta como uma abelhinha
e saltitante como um beija-flor.
É linda como um dia de sol
e tem olhos mais escuros
do que a noite mais profunda.
Minha filha é um anjo,
que veio do céu, numa caixa de presente,
colocada em cima do muro,
para alegrar todos os dias de minha vida.
Deus te abençoe, minha filha querida!
Rose nos trouxe felicidade, porque esta não depende de valores materiais, mas sempre de valores morais e espirituais. Por isso mesmo existem tantos ricos infelizes e tantos pobres felicíssimos, neste mundo de Deus!
Ela e Margarete herdaram minha determinação.
Margarete, aos nove anos de idade, chorou porque desejava morar, definitivamente, na Alemanha. Trinta anos depois, foi morar naquele país.
Rose tinha oito anos, quando eu visitei uma família, cujo apartamento tinha o dobro do meu, que era vizinho. Ela começou a chorar, dizendo que queria morar naquele apartamento maior e quando eu disse que não tinha dinheiro para comprá-lo, ela declarou: “Quando eu crescer vou ganhar dinheiro e comprar este apartamento para mim”. Depois de 25 anos, ela finalmente realizou o seu sonho de criança e comprou o dito apartamento.
Curso no I.P.A.
Em março de 1977, fechei o apartamento que havia comprado para morar, depois dos três assaltos, e voltei a residir em nossa casa, pois Rosemary precisava de espaço e eu já havia superado os traumas. Dei um balanço em minha vida e resolvi fazer duas coisas: uma nova decoração na casa e melhorar minha cultura. Sentia-me desatualizada em todos os sentidos. Nos últimos 10 anos, trabalhando até 18 horas por dia, eu não havia progredido em nada, intelectualmente. A situação financeira era boa e eu já podia me dar ao luxo de pensar em mim. Um ano depois, matriculei-me no Curso de Psicologia Aplicada no I.P.A., Rua Miguel Lemos, 45 (Copacabana). Nos dois primeiros meses, assisti a todas as aulas; no terceiro mês, só pude assistir a duas aulas, por causa do excesso de pedidos na fábrica. Em junho, houve uma Copa do Mundo e, praticamente, as aulas foram suspensas. Perdi o interesse pelo curso e me afastei. No curso do I.P.A., aprendi muitas coisas:
1. - Que a Professora Lydia Mattos sabia transmitir, maravilhosamente, os seus conhecimentos de Psicologia. Desde esse tempo, tomei gosto por esta matéria.
2. - Que a maioria das alunas era constituída de mulheres entre 30 a 60 anos, com um tremendo vazio dentro delas, buscando, através das aulas de Psicologia e Parapsicologia, encontrar a verdade. Algumas até faziam curso de Teologia; portanto estavam buscando se comunicar com Deus.
3. - Que havia uma certa discriminação social, ali dentro. Por exemplo, as "meninas" da Vieira Souto não gostavam muito de conversar com as da Zona Norte e eu, que morava em Caxias, era olhada como uma perigosa marginal...
Fiquei sem apoio, mas descobri algo mais importante. Ao contrário daquelas mulheres, que estavam fazendo o curso para se distrair, algumas até depois de uma plástica com o Dr. Ivo Pitanguy, eu tinha mais o que fazer. Tinha um marido fiel (e doente) me esperando em casa, um bebê de colo e uma filha noiva, precisando de cuidados. Isto sem falar numa firma em tremenda expansão, exigindo cada horinha disponível do meu dia.
Lembrei-me de minhas clientes do interior do Brasil. Eram mulheres simples como eu, que lutavam pela vida, tropeçavam, caíam e se levantavam, porque é isto que se chama vida. Essas mulheres sentava à mesa para comer, junto com a empregada; levavam doces para o orfanato mais próximo; assistiam telenovelas e torciam pelos heróis das mesmas; donas de casa que andavam de Fusca ou mesmo de ônibus, em vez de usar carros de luxo, como algumas daquelas deslumbradas dondocas da zona sul do Rio de Janeiro.
Graças ao curso do I.P.A. readquiri o gosto pelos livros. Quando a professora mandou comprar “O Poder do Subconsciente”, de Joseph Murphy (um livro sobre Confissão Positiva, tremendamente herético), li o dito e fiquei muito interessada no assunto. Por isso acabei comprando toda a coleção deste autor. Depois comprei todos os livros do Norman Vincent Peale e alguns de Parapsicologia. Comprei o Catecismo Holandês e um Novo Testamento e Salmos. [A leitura deste último iria me conduzir a Cristo]. Estava completa a minha biblioteca e passei a ler duas horas por dia, hábito que iria cultivar até hoje. Estava em busca da verdade, a qual todas as pessoas estão tentando encontrar e poucas encontram...
Não foram os livros de Ciência da Mente que me levaram ao encontro da verdade. Lendo o NOVO TESTAMENTO - que é a revelação de Jesus Cristo, ou seja, o próprio Jesus encadernado - encontrei-a definitivamente. Sendo Ele o nosso Deus e grande Salvador, não precisei mais procurar em parte alguma o que buscava, porque a verdade estava ali, diante de mim, oferecendo vida abundante, em cada página do Novo Testamento, com palavras assim: "Eu sou o Caminho e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim" (João 14:6).
Era exatamente o que eu estava procurando - Deus, o Pai, revelado em Jesus Cristo - Aquele Deus Todo Poderoso, que me daria força para enfrentar todos os males, usando o poder do Espírito Santo para me fortalecer, nos momentos de crise. Não entendo por que os professores de Ciência da Mente ficam ensinando tanta baboseira, se um caminho tão reto e fácil está à nossa disposição, quando lemos e seguimos os ensinos do Novo Testamento.
Infelizmente, a igreja evangélica emergente está regredindo em matéria de doutrina, pregando profecias, maravilhas e sinais, com o fito de se locupletar de bens materiais.
CRISTO é a minha verdade
Nasci em Crato, Ceará, fronteira com Pernambuco, cidade católica por excelência. Meus pais eram católicos frios, que nem sequer iam à missa, aos domingos. Minha mãe precisava manter seus nove filhos limpos e bem alimentados e não lhe sobrava tempo para coisa alguma.
Durante o dia, meu pai trabalhava em sua própria loja - A Nova Aurora - no centro da cidade, e à noite, ia se divertir nas boates. Mamie sofria muito e eu, desde cedo, por ser a filha mais velha, comecei a encarar muitas responsabilidades.
Eu era a mais velha das filhas, mas o primogênito era meu irmão Chico, um garoto rebelde. Papai me adorava e Chico morria de ciúmes de mim. Eu era do tipo ajuizado e ele era terrível. Entrei no Ginásio Santa Teresa com 13 anos. Meu professor de Inglês era o Monsenhor Montenegro - Diretor do Colégio Diocesano, só para rapazes. Ele cuidava de minha pronuncia em Inglês e também de minha formação religiosa, pois era o meu confessor. Eu ia à missa, todos os domingos, e sempre me confessava e comungava, piedosamente. Terminei o Ginásio falando Inglês e fui fazer o Curso Científico em Fortaleza. Pretendia estudar Medicina ou Química Industrial, mas acabei desistindo de ambas, indo trabalhar na Panair, como encarregada da Seção de Passagens.
Minha relação com Jesus Cristo, que havia sido intensa durante o curso ginasial, foi esfriando aos poucos e acabei me tornando uma católica fria e sem objetivo, como a maioria dos membros da ICAR. Eu ia à missa aos domingos, me confessava e comungava, uma vez por ano, na época da Páscoa, e nisso consistia toda a minha vida espiritual.
Em 1952, fui morar no Recife, onde trabalhei como Secretária bilíngue em duas firmas: Cia. Singer e The East Asiatic Company. Ganhava razoavelmente bem e me divertia bastante com as três companheiras de apartamento: Eunice, Alaíde e Nilza. Todas elas tinham namorado, menos eu. Eunice era minha companheira predileta. Ela era membro de uma igreja batista e todos os domingos, ia assistir ao culto em sua igreja, enquanto eu ia à missa na minha. Apesar de ter uma vida satisfatória, eu vivia insatisfeita. Escrevia artigos para o Jornal do Comércio - edição de domingo. Nessa época, escrevi um livro de poesias, intitulado Trovas de Setembro, o qual nunca cheguei a publicar. Dele faz parte o Poema de Virgem, onde mostro toda a insatisfação que eu sentia em relação à minha vida. Estava procurando algo - que eu mesma não sabia o que era - e só iria encontrar, 25 anos depois, quando me converti ao Senhor Jesus Cristo, após ter lido o Novo Testamento e Salmos, da Trinitariana, escrevendo um poema em trovas, para Ele. Mesmo pós a adoção da Rosemary, ainda me faltava um algo mais...
Minha conversão
Pra minha falta de fé, /que me torna dura a vida,
eu sinto Cristo, de pé, /curando a minha ferida.
Quando me foge a esperança /e estou quase a naufragar,
Cristo me dá confiança / de breve ao porto chegar.
Pra minha falta de amor, / que às vezes me faz tão má,
só Cristo, nosso Senhor, / o Seu apoio me dá.
Pro meu gênio violento / de achar remédio eu desisto.
"Pare com esse lamento / e venha mim", diz-me Cristo.
"Por Filho de Deus me tomes, / que os lucros serão só teus.
Os impossíveis dos homens / são possíveis para Deus"
Eu sei que Deus é por mim, / pois me guia e me aconselha...
Quem pode ser contra mim, / que me tornei Sua ovelha?
Indagais, amigos meus, / por que sou feliz assim?
Porque o Reino de Deus / já está dentro de mim! - J. Primavera, 01/05/78.
Valeu a ter escrito tantos livros?
De todos os livros que escrevi, o que me deu maiores alegrias foi o quinto - “Colar de Pérolas”. No dia 10/08/1982, quando voltei da festa de comemoração da posse - em segundo mandato - do Dr. Paulo Breda, Presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, em São Paulo, encontrei 20 cartas me esperando, no escritório da Avenida Copacabana. Estava tão cansada que li apenas uma carta, a qual trazia um carimbo do Crato, Ceará, minha cidade natal. Era de uma jovem, contando uma história interessante:
Ela estava namorando um homem casado e concordara em se encontrar com ele num motel, na rodovia Padre Cícero, entre Crato e Juazeiro do Norte, no dia seguinte. Naquela noite, ela estava transtornada, com um tremendo sentimento de culpa, não conseguindo dormir; por isso resolveu tomar um comprimido relaxante. Ao passar pela copa, viu um livrinho na cor ocre, com um colar de pérolas desenhado na capa. Apanhou o livrinho e resolveu ler o conteúdo do mesmo, enquanto aguardava o sono... Foi lendo... lendo... E só parou na última página. Quando chegou ao final da leitura, caiu em prantos, pedindo que Jesus lhe perdoasse o grave pecado que ia cometer, encontrando-se com aquele homem comprometido. Chorou muito e nunca mais quis falar com aquele adúltero.
O livro fora enviado por mim ao pastor de uma igreja batista, que o havia emprestado ao irmão daquela jovem. Depois disso, o “Colar de Pérolas” andou de mão em mão, recomendado pela moça. Meses depois, o pastor da igreja me escreveu, contando que ele havia causado um verdadeiro reavivamento entre os jovens daquela igreja. Glória a Jesus!
Vejamos outro testemunho.
Certo dia, uma jovem ia descendo pelo elevador do prédio onde morava, em Copacabana. No chão do elevador, havia uma pilha de jornais usados e, no meio destes, um exemplar do “Colar de Pérolas”. Suponho que alguma cliente de nossa linha de cosméticos o havia recebido como brinde, num congresso recente, e não gostara do conteúdo, jogando-o fora. E como a Palavra de Deus não volta vazia, aquela jovem, que era evangélica e estava afastada da igreja, gostou da capa do livro, apanhou-o - meio desconfiada - e leu a primeira página, com uma dedicatória que assim começava: “Dedico este livrinho a Paulo de Tarso, Pregador, Apóstolo e Mestre do Evangelho de Jesus Cristo”.
A moça gostou das palavras que leu, guardou o livro e o leu, naquele mesmo dia, quando voltou do trabalho. Depois levou-o para a sua igreja, emprestou-o a uma porção de jovens e, mais tarde, ela me procurou para contar que o livrinho havia causado um verdadeiro reavivamento entre os jovens de sua igreja. Glória a Jesus!
Mais um testemunho:
Uma senhora de idade estava sendo evangelizada pelo pastor da Igreja Presbiteriana de Copacabana, quando este lhe emprestou o livro. Ela o leu e mais tarde me procurou para contar que, depois de tê-lo lido, todas as suas dúvidas sobre o Evangelho haviam desaparecido e ela havia aceitado o senhorio de Jesus Cristo em sua vida. Esta senhora fora um membro atuante na seita de Alan Kardec e se tornou, mais tarde, uma líder na Igreja Presbiteriana. Glória a Jesus!
Valeu a pena, sim, escrever meus livrinhos. O objetivo deles tem sido glorificar o Nome de Jesus Cristo e também levar alegria aos irmãos que lêem minhas aventuras, por esse mundo de Deus. Agora, com 80 anos, dois meses e dez dias de vida, ainda quero trabalhar muito, para engrandecer o Nome Santo do meu Salvador.
Dados biográficos da autora
Mary Schultze nasceu em Crato, Ceará, num claro domingo de sol, chorando muito, como se não desejasse aterrizar no planeta Terra. Mas Deus, eternamente sábio, estava enviando a garotinha de cabelos claros para um propósito específico, permitindo que ela fosse feliz e cumpridora de sua tarefa - alegrar as pessoas com os seus livros de contos e poesias. Foi uma menina extrovertida, a qual, aos sete anos de idade, após ter sido alfabetizada pelo pai, começou a ler muitos livros de histórias e logo estava escrevendo contos e poesias, com um estilo muito pessoal. Estudou com afinco e aos 20 anos de idade foi trabalhar numa companhia aérea, pois falava Inglês fluentemente, desde os 17 anos, e logo se firmou como uma eficiente secretária bilíngue.
Começou a trabalhar aos vinte anos e, aos vinte e quatro, veio residir e trabalhar no Rio de Janeiro, na firma inglesa, Mappin & Webb, como Secretária do Diretor. Aos vinte e seis anos, conheceu o Químico Industrial alemão de Berlim, Hans Georg Max Paul Schultze, com quem se casou. Ele gerenciava uma firma de essências alimentícias, na Rodovia Washington Luiz, município de Duque de Caxias, RJ.
Mary converteu-se ao Evangelho do Senhor Jesus Cristo aos quarenta e oito anos de idade e hoje é membro de uma igreja batista. Seu casamento durou 26 anos, até o falecimento do marido, quando Mary ficou com duas filhas, Margarete e Rosemary, dirigindo os negócios do casal. Hoje Margarete reside na Alemanha (lado oriental) e Rosemary reside em Teresópolis, RJ. Mary tem cinco netos: Luciana, Gustavo e Marion (filhos de Margarete); Luísa e Maria Eduarda (filhas de Rosemary).
Seis meses antes de perder o marido, Mary havia ingressado no Seminário Teológico Betel (Batista, no RJ), onde se esforçou tanto que tirou as melhores notas da turma. O resultado foi o seu 7º livrinho - Amigos em Cristo - para o qual aproveitou muitos trabalhos do Seminário. Este e os seis livros anteriores foram todos distribuídos entre os clientes de sua linha de cosméticos. Como resultado, ganhou algumas almas para Cristo. A Jesus Cristo, nosso Deus e grande Salvador, seja dada toda a glória, hoje e eternamente!
Mary escreveu 19 livros e publicou dez: Cubos de Gelo, Meu Cristo é Poesia, Meu Cristo é a Verdade, Jardim Primavera, Colar de Pérolas, Sou Livre, Amigos em Cristo, A Deusa do Terceiro Milênio, Viajando Com Martinho Lutero e Conspiração Mundial em Nome de Deus (os três últimos foram publicados pela Editora Universal). Foi microempresária, durante 36 anos, com a linha de cosméticos Mary Schultze, distribuída em todo o Brasil. Em 1994, depois de vender a microempresa, aposentou-se e, no ano seguinte, passou a trabalhar, em Teresópolis (RJ), somente na obra do Senhor Jesus Cristo. É membro correspondente de seis Academias de Letras, no Brasil, e da International Academy of Letters of England. Em maio deste ano, ela recebeu o Diploma de “Professora Honoris Causa”, pela FAEBTER - Faculdade Evangélica Bíblica de Teologia Reformada, entregue pelo Professor Josías Macedo Baraúna Jr.
Para muita gente, quando alguém se converte no último estágio da vida é um pouco tarde. Mas para Deus a idade cronológica não importa. Nestes 32 anos de vida cristã, Mary tem se dedicado à obra do Rei Jesus. Escreveu mais de 1.000 artigos evangélicos (quase todos já publicados) e algumas poesias. Traduziu mais de 5.000 páginas, dentre as quais se destacam: “O Próximo Passo”, de Jack Chick, “Por Amor aos Católicos Romanos”, “Escada para o Inferno”, ambos de Rick Jones, “Os Fatos Sobre a Vida Após a Morte”, de John Ankerberg & John Weldon, “Respostas aos Amigos Católicos”, de Thomas F. Heinz, o “Comentário do Novo Testamento”, de John Wesley; “A Mulher Montada na Besta”, de Dave Hunt; “Fato ou Fraude?” (Os Protocolos de Sião), de Goran Larsson, e “O Holocausto do Vaticano”, “The Vatican Billions”, “The Vatican in World Politics”, de Avro Manhattan, “O Livro das Respostas’, do Dr. Samuel C. Gipp, “Final Authority” (Autoridade Final), do Dr. William P. Grady, etc. Leu e traduziu parte do livro "Vatican Assassins" de Eric Jon Phelps, do qual tirou algum material para o seu livro "O Vaticano e a União Européia". Traduziu “Os Doze Profetas Menores”, de George L. Robinson. Traduziu seis livros do teólogo batista, Dr. Peter Ruckman, defensor da Bíblia King James. Traduziu também o livro de Sir Robert Anderson, “The Lord of Heaven”, sobre a Divindade do Senhor Jesus Cristo, e em setembro e outubro de 2008, traduziu “Reconhecendo o Engodo”, de Dene MacGriff.
Lecionou Teologia Sistemática e Inglês no Seminário Teológico Serrano, em Teresópolis (RJ). Durante dois anos e meio, Mary trabalhou como secretária, pesquisadora e tradutora de Inglês, no Centro de Pesquisas Religiosas, em Teresópolis (CPR), sob a direção do Pr. Paulo Pimentel. A partir daí, vem se dedicando, especialmente, à pesquisa sobre o Catolicismo Romano e o Neopentecostalismo, temas dos seus últimos livros.
Mary tem recebido alguns comentários de apoio ao seu trabalho, inclusive do Diretor do Instituto de Pesquisas Bíblicas de Jerusalém (que veio a Teresópolis para conhecê-la) e do Presidente da Editora Trinitariana no Brasil, SP. (que também veio a Teresópolis para conhecê-la pessoalmente).
Revisou e fez o prefácio (em março de 2008) do livro autobiográfico “Um Agricultor que Deu Certo”, do Presidente da Universidade (UNIFESO) em Teresópolis.
Colaborou em quatro jornais (Jornal Batista, Desafio das Seitas, Folha Universal e O Diário de Teresópolis) e nestes quinze anos de dedicação à obra do Senhor, Mary nunca teve tempo de adoecer, porque sua mente continua ativa e o corpo ágil, com o mesmo peso (53 kg) dos 20 anos. Seu expediente é de 12 horas diárias, num trabalho muito gratificante. Seus maiores objetivos são: ganhar almas para o Senhor Jesus Cristo e ser uma boa avó para os cinco netos.
Na parábola dos trabalhadores na vinha (Mateus 20:1-16), Jesus nos mostra que os que iniciaram o serviço às 17 horas ganharam o mesmo salário daqueles que o haviam iniciado às 6 horas da manhã. Isso quer dizer que a idade cronológica não importa para Deus, mas a qualidade da vida do cristão. Os versículos bíblicos que comandam sua vida são: Romanos 8:28, Filipenses 4:19 e Efésios 3:19-20, os quais sempre têm funcionado maravilhosamente. Louvado seja o nome do Senhor!
Seus últimos livros, e dezenas de artigos, estão disponíveis no site www.maryschultze.com Os livros são: “Compartilhando a Palavra Fiel”; “O Vaticano e a União Européia”; “O Big Brother de Roma”; “Dr. Paisley Contra a Falsidade”; “Os Doze Profetas Menores” (tradução); “Cartas Bereanas” (The Berean Call News Letters - Tradução); “Movimentos Kakangélicos” e “Os Filhos de Loyola”. Seu livro predileto - “Colar de Pérolas” (Amenidades Evangélicas) - publicado em 1981, foi transformado em apostila; “D. Mariquinha em Prosa e Verso (autobiográfico), “Colar de Lazulitas”; “Colar de Granadas” e "Colar de Topázios Azuis" (Amenidades Evangélicas); “Fábulas de Esopo Comentadas”. Um resumo do livro “Cubos de Gelo” foi intitulado “A Nordestina Alemã”. Outro resumo deu origem a este livro - “Os Muitos Anos Me Fazem Recordar”. Seu grande desejo é glorificar o nome do nosso Deus e Grande Salvador Jesus Cristo, diante de quem todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é o Senhor! (Filipenses 2:10-11.)
Teresópolis, 18 de Fevereiro de 2010.
Site: www.maryschultze.com